sábado, 10 de março de 2007

Caindo nessa realidade confusa

Antes de começar...
Toda história de amor tem sempre um começo, um meio e um felizes para sempre. Esta não tem um felizes para sempre, mas tem uma continuidade. Então, se você vai tocer para o "eu" personagem ficar com sua amada, pare por aqui, porque "ele e ela" não ficam juntos. Talvez haja uma lição nesta história que você possa vir a descobrir. Meu caderno de bolso se trata de uma história real, com alguns adendos fictícios ou descritos na visão de um cara que estava perdidamente apaixonado e que acreditava ter encontrado sua "escolhida".

Baseado nas postagens do blog "Meu Caderno de Bolso" e no caderno escrito durante 4 anos.


Eu sou o Pacco. Sou um cara normal. Sim, eu nasci, cresci e cheguei até aqui, em meus 24 anos tendo uma história passada. Mas minha vida se divide aqui, no antes, até este dia, e do pós, que é de onde começo a contar minha história.

Imagine um garoto normal, aspirante a músico, que comprou um carro velho em 24 prestações e finalmente se tornou um Dj conhecido na cidade, o que tanto era seu sonho. Sim, não vamos perder tempo em como cheguei até aqui, mas vamos em frente. Em uma época em que se popularizavam as redes sociais, encontrei uma linda garota. A foto não mostrava bem, mas era uma adolescente de mais ou menos uns 17 anos, que usava aparelho e segurava o cabelo para trás. Me apaixonei perdidamente. Sim, sei que parece papo de biba, mas não é meu caro. Desabei diante da menina desconhecida que estava ali no mundo virtual... Como ela é? Do que ela gosta? Quais os planos? Os sonhos? E o mais importante... Ela gostaria de mim talvez?
Houve algumas tentativas de contato, mas nada acontecia. É muito complicado lidar com essa coisa de virtual e real. Venho de uma época em que celular era um aparelho de quase 30 cm de altura e pesava uns 2 quilos. Levando todos os dias para ir trabalhar em uma multinacional que revende pneus, e todos os dias eu fico com essa menina na cabeça... Aquele sorriso metálico me cativou de uma maneira que eu não consigo entender bem. Mas enfim, mais um dia de trabalho. 
Hoje a noite tem uma balada no Munich... Vamos ver o que acontece.

 Pacco ouve agora Black Ballon do Goo Goo Dolls. Digita alguns versos em seu blog: 
"Sabe que passei a semana toda me preparando para a Disco do dia 7... Engraçado que arrasta o tempo até mais ou menos a meia noite... Aí o pessoal começa a se soltar... Ver uma pista dançante, mesmo que com menos público que o habitual é gratificante... Os gritos, a reverência ao seu trabalho... As gostosas e maduras garotas pernudas querendo sua atenção para pedir uma música... é muito bom...
Alias, tocar na disco me lembra que existem mulheres maduras, bem melhores do que as garotinhas pós-colegiais-recém-formadas-ou-não que querem tudo descompromissadamente, ou que, quando em compromisso, só fazem reclamar da vida que não tem. Se estão solteiras, querem namorar. Se namoram, querem estar solteiras... Estão com um pensando em outro, ou trancam suas vidas sob sete chaves de um "amor" sexual que ja passou, e não se permitem novas descobertas, ou sempre estão comparando uma situação com a outra...
Ah... como eu queria uma "pernuda" de 29 anos que sabe bem o que quer e o que não quer. O que GOSTA e o que não gosta...
Abaixo às colegiais!!! Abaixo às franguinhas!!! Abaixo às imaturas que acham que sabem tudo da vida, mas na verdade só conseguem fazer cagadas com seu tão precioso tempo na terra.
É bom estar assim, "crescido" na mente... muita coisa faz sentido hoje. Muita coisa que não fazia sentido, faz hoje.
Vamos ver como vai ser o dia de amanhã. Só tem nuvens na alvorada... Não da para ver o sol em Janeiro, nem em Fevereiro... Mas Março desponta já no calendário de "proximo mês"...
Começo a encarar as coisas de um modo diferente e real, que há muito não acontecia (ou nunca aconteceu de verdade...)."
Estava em seu horário de almoço e comentava com essa postagem uma boa noite que teve ao tocar numa festa chamada "DISCO" na balada Munich, a qual era dj residente. Pacco tem essa coisa de uma "busca" à sua amada e desconhecida que fantasiava na sua cabeça desde muito tempo. Chega em casa, toma um banho e se prepara para outra baladinha sem importancia no Munich.


Cheguei ao Munich há 3 horas e meia atrás. A noite ta do mesmo jeito. Agora a banda está tocando e eu aqui fora da casa. Seria legal se eu fumasse. A desculpa seria o cigarro. Mas não há desculpa. O saco é o som do sertanejo universitário de uma das 5 duplas pseudo-famosas da cidade. As brincadeiras e interações são as mesmas. Mas enfim, acabei de lembrar da tal menina da internet. Deixei outra mensagem no mural dela. Uma hora ela vai ter que me responder, nem que seja para descobrir se eu sou ou não um psicopata... Bom, a banda está despedindo. Vou voltar lá pra dentro agora...


Pacco começa a noite com uma antiga da Moony. Ali naquele momento, frente às pick ups, ele se solta. É apenas Pacco e a pista. E mais nada. A noite acaba e Pacco entra em seu velho Escort 89, encosta em um posto, compra Ruffles e uma fanta uva, dá partida e vai para seu refúgio. 
Existe uma fazenda na saída da cidade, e Pacco gosta de estacionar o carro nesta entrada e ver o sol nascer. Ouve sua seleção de músicas que vai de Goo Goo Dolls, Cary Brothers, Coldplay entre outros e escreve algumas coisas...


Estou aqui, no frio e no meio do nada. A vida não faz muito sentido até aqui, mas esses momentos em que estou no refúgio, eu sinto que sou parte de algo. A alvorada, o cheiro de terra molhada que sobe, o sono que tenta derrubar, as boas nostalgias inexplicáveis e a boa seleção de músicas que toca em meu cd player. Até aqui, tudo perfeito. 
E se a garota de aparelhos estivesse aqui comigo? Será que ela gosta de ver o sol nascer? Será que ela curte Ruffles? Será que ela ouve Nickelback? Será que ela andaria no meu carro velho? Será que ela é uma chata? Uma metida? Uma riquinha? Uma pobre interesseira? Ela é de verdade?
Como seria se ela estivesse aqui, agora, do meu lado? 


O sol nasce. Pacco entra no carro e volta para casa. Começa neste dia a idealização de uma perfeita estranha que ele, perigosamente, começa a querer para sua vida. A música ainda está no carro, mas aos poucos ele começa a voltar para sua realidade. Pacco tem um desejo imenso de sair de sua pequena cidade natal. Na verdade ele nunca entendeu bem essa estranha tendência a pegar estradas e sair de sua rotina. O vento bate em seu rosto, o sono tenta vencer. Eis que vai indo ao longe na avenida, o pequeno Escort azul e queimado, em uma manhã de domingo. Neste instante, a pequena cidade avistada do mirante, com seus prédios residenciais deixando que a luz do sol vá batendo de cima para baixo, revelando que mais um dia começava.